Caderno do Vestibular do ZH destaca a profissão de Fonoaudiólogo
Zero Hora - Caderno Vestibular - p. 7- 04/03/2010
Hospitais e serviços saúde começam a descobrir o que o profissional fonoaudiólogo.
Em dezembro deste ano, uma das mais tradicionais instituições de Ensino Superior do Estado entrega ao mercado de trabalho sua primeira turma de formados em Fonoaudiologia.
A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), que oferece a opção desde 2007, tem a companhia de outras duas universidades federais de peso, além das privadas: a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
- O fato de cada vez mais instituições federais terem esse curso mostra que se trata de uma carreira com muito espaço para crescer. O número de profissionais no mercado ainda está longe do necessário - afirma Susana Elena Delgado, coordenadora do curso na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra).
É preciso abrir portas já na universidade.
Ela afirma que a quantidade de concursos públicos aumenta, com municípios abrindo vagas e oferecendo os profissionais para atendimento da população por meio do SUS. Hospitais como o Conceição, na Capital, começam a oferecer residência na área. Apesar desses sinais, a sociedade precisa ainda de um empurrãozinho para se dar conta da importância dessa carreira.
- Em todo o Brasil, temos apenas 33 mil profissionais, 1,7 mil no Estado. Até mesmo por isso é que a população desconhece a carreira. E muita gente acha que somente lidamos com crianças. Na verdade, atendemos do bebê ao idoso - conta Mauriceia Cassol, diretora do curso da UFCSPA.
Segunda instituição a criar o curso no Estado (a primeira foi a UFSM), o Centro Universitário Metodista, do IPA, testemunhou transformações nos últimos 20 anos. A coordenadora do curso, Maria Inês Dornelles da Costa Ferreira, lembra que a profissão começou muito relacionada à atuação em consultório particular.
- Nosso primeiro vestibular foi em 1989, com cerca de 800 inscritos. Duas décadas depois, conquistamos muito espaço, mas ainda estamos dedicados a esclarecer sobre a necessidade do profissional no mercado. Temos de abrir mais campos na saúde e na educação - diz ela.
Os novos graduandos, entretanto, não devem ficar passivos e somente esperar pelas oportunidades. É preciso, já dentro da faculdade, começar a abrir as portas para deslanchar na carreira. A coordenadora do curso na Ulbra dá o caminho:
- O aluno deve envolver-se desde o primeiro semestre, conhecer as áreas e procurar estágios o quanto antes. E, depois de formado, seguir estudando - sugere Susana Delgado.
Prevenção de problemas em bebês.
Uma das missões mais nobres da carreira está na prevenção de problemas auditivos em bebês. E a principal arma para isso é o teste da orelhinha, a triagem auditiva neonatal, que é realizado até 15 dias após o nascimento. O exame é realizado com o bebê dormindo, com um equipamento simples junto ao ouvido.
- Quarenta municípios já fazem esse exame em todos os bebês para detectar precocemente alterações na cóclea (ouvido interno). Com isso, por meio de próteses ou implantes, pode-se evitar problemas - explica a fonoaudióloga Fabiana de Oliveira, professora do IPA e contratada pela prefeitura de Triunfo.
Significa que, com a intervenção fonoaudiológica, essa criança pode desenvolver melhor a sua linguagem. Sem isso, talvez seus pais somente descobrissem a deficiência aos três anos de idade, quando percebessem que o bebê não começou a falar.
- Esse aparelho emite um som dentro do ouvido do bebê. Se a audição dele é normal, o equipamento recebe uma resposta, uma espécie de eco. Caso não receba o retorno, será o caso de mais exames - explica Claudia Zanini, fonoaudióloga da Triagem Auditiva Neonatal do Hospital Presidente Vargas, na Capital.
Áreas da profissão
Linguagem
- Avalia e trata os aspectos relacionados à aquisição, desenvolvimento e distúrbios da linguagem oral e escrita, tais como desvios fonológicos, gagueira, dislexia e afasias (dificuldades de expressão).
Audição
- Realiza a avaliação audiológica por meio, por exemplo, de audiometria, avaliação comportamental, potenciais auditivos evocados e avaliação do processamento auditivo. Realiza também a reabilitação auditiva com seleção, indicação e adaptação de aparelhos.
Voz
- Prevenção, avaliação e tratamento dos distúrbios vocais, na saúde vocal e no aperfeiçoamento e estética vocal, principalmente de profissionais como cantores, atores e locutores.
Motricidade orofacial
- Trabalha a musculatura da face, da boca e da língua. A atuação pode ter objetivos terapêuticos, no tratamento de problemas relacionados à sucção, mastigação, deglutição, respiração e fala.
Saúde coletiva
- Atenção nos serviços públicos de saúde, envolvendo também a prevenção dos distúrbios. Área generalista da carreira.
Fonte: Conselho Regional da 7ª Região, responsável pelo Rio Grande do Sul
Fonoaudiologia
- O que faz: trata da comunicação humana, como a audição, a voz, a fala e a linguagem. Trabalha com o aperfeiçoamento da linguagem oral e escrita e da qualidade da voz. Realiza exames audiológicos.
- Mercado: atores e profissionais de comunicação (locutores, radialistas) se utilizam muito dos serviços do fonoaudiólogo para a voz. A maioria dos profissionais trabalha em consultórios particulares ou clínicas multiprofissionais. Há mercado em escolas, indústrias e hospitais. O tratamento e a prevenção de distúrbios de idosos estão em crescimento.
- O curso: dura quatro anos.
- Remuneração: em média, de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil para jornada de 30 horas semanais. Por uma consulta inicial, são cobrados em média R$ 50.
- Onde estudar
Privadas: Fátima, IPA, Ulbra, UPF
Públicas: UFCSPA, UFRGS, UFSM