Protagonismo Ambiental
Professor da Ulbra participa do resgate de onça na Amazônia
O animal foi devolvido à natureza após 40 dias
No último domingo (23), o programa jornalístico 'Fantástico' exibiu uma matéria especial sobre o resgate de uma onça na Amazônia que havia sido baleada. Entre os protagonistas dessa história está o professor e coordenador do curso de Engenharia Ambiental da Ulbra Manaus, Alan Ferreira, cuja atuação tem sido essencial para compreender e mitigar os impactos ambientais que vêm afetando os felinos amazônicos. A operação contou com uma ampla rede de ambientalistas e instituições envolvidas na reabilitação do animal.
Nos últimos meses, o professor Alan tem conduzido análises detalhadas sobre a expansão urbana e rural no entorno das áreas de floresta. De acordo com ele, o avanço desordenado tem provocado alterações no comportamento dos felinos, que passaram a se deslocar com mais frequência e a percorrer territórios onde antes não circulavam. "Essas mudanças nos trazem grandes preocupações. Um dos resultados dessas análises foi justamente o caso da onça resgatada: ela avançou até uma propriedade rural, onde acabou sendo atingida no rosto por uma espingarda", explica o professor.
No laboratório, a equipe coordenada por Alan realizou estudos a partir de amostras de fezes de diferentes felinos da região. Os resultados revelaram fragmentos de prego, pedaços de arame farpado e até madeiras serradas utilizadas como estacas de mourões, evidenciando que esses animais estão entrando em áreas de atividades humanas e acabam ingerindo materiais associados ao agronegócio e ao desmatamento.
Com base nessas análises, a equipe definiu criteriosamente a melhor área de soltura para a onça resgatada: uma região isolada e distante das atividades agrícolas, garantindo maior segurança e reduzindo a chance de novos conflitos com propriedades rurais. Além de reabilitada, a onça foi equipada com um colar de radiomonitoramento com GPS, permitindo acompanhar seus deslocamentos pelos próximos três anos.
Relatórios divulgados entre domingo (23) e segunda-feira (24) demonstraram excelente readaptação do animal, que já havia percorrido mais de 1,2 km após a soltura. O episódio reforça a urgência de medidas de conservação que considerem não apenas o resgate de animais feridos, mas também os impactos da ocupação humana sobre a fauna nativa.
Para o professor Alan Ferreira, o caso é um alerta. "Quando encontramos pregos, fios de arame e madeira serrada dentro de um felino, estamos diante de um reflexo direto da expansão humana. Esse resgate não é só sobre salvar uma onça: é sobre compreender como nossa presença modifica todo o ecossistema", ressalta.
A participação do docente da Ulbra evidencia o comprometimento da universidade com pesquisas de impacto e com a formação de profissionais que atuam na linha de frente da conservação amazônica.
Tânia Maquiné-Manaus (AM)-2025
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