Protagonismo Acadêmico
Acadêmica da Ulbra Manaus palestra em congresso internacional na Bahia
A estudante indígena falou sobre o combate ao tràfico de animai silvestres
A acadêmica do curso de Enfermagem da Universidade Ulbra Manaus, Eliza Satere, que também faz parte das lideranças indígenas do estado do Amazonas, participou como palestrante da Oficina de Elaboração do Plano de Ação Nacional (PAN) de Combate ao Tráfico de Vida Silvestre, realizada entre os dias 10 e 12 de dezembro, na Praia do Forte, no estado da Bahia.
O evento foi coordenado pela WCS Brasil (Associação para a Conservação da Vida Silvestre), organização sem fins lucrativos que desde 2004 desenvolve e dissemina soluções voltadas à conservação de paisagens naturais e da fauna silvestre, em parceria com a Conservare Wild Consulting e outras instituições.
Durante três dias de programação, representantes de 28 instituições, entre órgãos do Governo Federal, forças de segurança, organizações não governamentais, academia, povos originários e setor privado, estiveram reunidos para construir, de forma colaborativa, a proposta do documento que irá orientar as ações de enfrentamento ao tráfico de animais silvestres no Brasil pelos próximos cinco anos.
Para Eliza Satere, a realização da oficina na Bahia, reforça a importância de ampliar o debate sobre o tema e garantir a inclusão efetiva dos povos indígenas na construção de políticas públicas ambientais. "Foi incrível poder participar da construção desse plano representando os povos indígenas. Estar nesse espaço, com tantas instituições e órgãos envolvidos, mostra que existem pessoas realmente interessadas na causa e comprometidas em diminuir o tráfico de animais, que infelizmente ainda acontece de forma muito naturalizada no país", destacou a acadêmica.
Segundo Eliza, o evento possibilitou uma troca fundamental entre diferentes setores da sociedade, além de dar visibilidade ao conhecimento tradicional dos povos originários, que possuem uma relação histórica e cultural direta com a natureza. "Os povos indígenas precisam ser ouvidos de fato. É importante entender como tratamos essa questão culturalmente, porque existe uma diferença entre o uso tradicional como a coleta consciente para produção de artesanato e a exploração criminosa, quando pessoas se aproveitam para retirar penas, dentes, couro ou até capturar animais indefesos para venda ilegal", explicou.
A acadêmica também ressaltou a importância do engajamento das comunidades na denúncia e no combate direto a esse tipo de crime, destacando que os povos amazônicos possuem papel fundamental na proteção da fauna. "Temos uma ligação muito forte com a natureza. A partir disso, é essencial entender como podemos atuar no enfrentamento ao tráfico de animais silvestres: denunciando, observando situações de cativeiro ou maus-tratos e informando corretamente os órgãos responsáveis. Isso ajuda a salvar muitos animais que vivem presos, sofrem maus-tratos ou nem chegam vivos ao destino final", afirmou.
O objetivo central da oficina foi a elaboração da matriz de planejamento do PAN, contemplando objetivos gerais, ações estratégicas, prazos e responsabilidades, além da definição de mecanismos para mensurar a eficiência das ações em escala nacional. Após o encontro, o documento segue para formalização junto ao Ministério Público e demais órgãos responsáveis.
Ao final do evento, também foi instituído o Grupo de Assessoramento Técnico, responsável por acompanhar a continuidade da estruturação do plano após a oficina. A iniciativa consolida uma rede inédita de cooperação entre diferentes setores da sociedade, fortalecendo estratégias de proteção da fauna brasileira e de enfrentamento ao tráfico de vida silvestre.
Eliza Satere destacou ainda a relevância da convivência e da troca de experiências ao longo do encontro, especialmente com representantes das forças de segurança e instituições públicas. "Sou muito grata à WCS Brasil, à Conservare e a todas as instituições envolvidas. Foi um tempo muito rico de troca de informações, inclusive com a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Federal e outros órgãos que também se preocupam com essa causa. Agora é aguardar a consolidação do documento e acreditar que muitas coisas boas ainda virão, com a escuta real dos povos amazônicos", concluiu.
A participação de Eliza Satere na oficina nacional reforça o compromisso da ULBRA Manaus com a formação de profissionais atentos às demandas socioambientais e à valorização dos saberes tradicionais. Ao integrar a construção de um plano de alcance nacional, a acadêmica evidencia o papel da universidade na promoção do diálogo entre ciência, políticas públicas e povos originários, contribuindo para o fortalecimento de ações efetivas de proteção da fauna brasileira.
Casos de tráfico, cativeiro ilegal ou maus-tratos a animais silvestres devem ser denunciados. As denúncias podem ser feitas junto ao IBAMA, pelo telefone Linha Verde 0800 618080, pelo sistema Fala.BR, ou ainda às Polícias Federal e Rodoviária Federal, além dos órgãos ambientais estaduais e municipais. A colaboração da sociedade é fundamental para reduzir esse tipo de crime e garantir a preservação da biodiversidade brasileira.
Tânia maquiné- Manaus (AM)-2025
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