Literatura 13/07/2022 15:47

Escola é premiada em tradicional concurso de poemas

São Pedro tem o maior número de estudantes vencedores na competição
Vencedores: Miguel trindade, Lorenzo Lemes, Stela Beatriz e Sofia Streck
Vencedores: Miguel trindade, Lorenzo Lemes, Stela Beatriz e Sofia Streck Foto: Divulgação

As categorias infantil e juvenil da edição de 2022 do 25º Concurso Paulo Salzano Vieira da Cunha de Poemas foram conquistadas pelo Colégio Ulbra São Pedro. É uma premiação literária, com tema livre, com a participação de escolas de Cachoeira do Sul e região. O Ulbra São Pedro tem o maior número de alunos vencedores na história do concurso, um total de 27 premiados. Este ano, também recebeu o troféu inédito de maior participação. Foram 118 poemas. A escola que ficou em segundo lugar teve 31 inscritos.

O Colégio Ulbra São Pedro tem reconhecidamente um trabalho literário muito forte em Cachoeira do Sul. "Nossa feira do livro é respeitada, inovadora. Somos o educandário que anualmente mais incentiva a leitura e a produção escrita. Desenvolvemos trabalhos como criação de livros físicos, atividades de saraus, entre outros", explica o professor Tiago Menezes de Vargas. Ele também coordena o concurso no município e faz parte da Academia Cachoeirense de Letras (ACL), na cadeira 43.

Nas duas categorias em que o colégio se inscreveu, conquistou o primeiro e segundo lugares. Também recebeu o troféu de escola com o maior número de participantes, enfatiza a professora Sandra Luciane de Aragão Teixeira, que leciona a disciplina de Língua Portuguesa nos sextos, sétimos e nono ano no Colégio Ulbra São Pedro. Ela é a docente que mais venceu o concurso com poemas de seus alunos. Incentivada pelos estudantes a participar da premiação literária, Sandra foi premiada no ano de 2021 na categoria adulta. Também faz parte da ACL na cadeira 42.

A Aelbra, mantenedora da Ulbra, ofertou placas personalizadas de homenagem valorizando os alunos e docentes pela conquista, afirma a professora Sandra.

Sobre a premiação

O Prêmio Paulo Salzano Vieira da Cunha de Poemas é um histórico e tradicional concurso literário realizado anualmente em Cachoeira do Sul. A premiação literária celebra o aniversário do Jornal do Povo e leva o nome de seu mais importante diretor, já falecido. Paulo Salzano era um entusiasta da cultura, da literatura e do saber. Uma pessoa além de seu tempo.

O concurso, que este ano chegou a sua 25ª edição, já premiou, entre vencedores e menções honrosas, mais de cem poetas. O objetivo é divulgar, incentivar e promover a poesia local, em caráter democrático e igualitário. O concurso envolve a participação de toda a comunidade cachoeirense.

É dividido em três categorias, infantil (7 aos 11 anos), juvenil (12 aos 17 anos) e adultos (a partir dos 18 anos). São premiados os dois melhores poemas de cada categoria.  Para participar é necessário residir em Cachoeira do Sul.

Para garantir a idoneidade, nos envelopes constam nome do poema, categoria e pseudônimo do autor. Em outro documento, são colocados os dados de identificação. Estes são revelados após a definição dos premiados através do júri, que anualmente é composto por reconhecidos professores locais e por poetas e escritores. Neste ano, foram inscritos, nas três categorias, 221 poemas.

Além da premiação de poetas, em 2022 foi criada uma categoria nova, a Escola Campeã de Poemas. Trata-se de um troféu itinerante ofertado para o colégio com maior participação no concurso.

Os vencedores

Categoria Infantil
1º lugar: Lorenzo Lemes - Colégio Ulbra São Pedro
2º lugar: Miguel Trindade Carneiro - Colégio Ulbra São Pedro

Categoria Juvenil
1º lugar: Stella Beatriz - Colégio Ulbra São Pedro
2º lugar: Sofia Streck Bundt - Colégio Ulbra São Pedro

Os poemas

 1º lugar: infantil
O ciclo das rochas

A vida é como uma rocha
Ao nascer
Você é uma lava
Que vira criança e solidifica na rocha ígnea
Que vira adolescente e os sedimentos de criança
Faz você virar uma rocha sedimentar
Que vira adulto e passa por pressão e temperatura
que faz você virar uma rocha metamórfica
que vira idosa e passa por temperaturas
que você voltar a ser lava
que seria a morte.
Lorenzo Lemes  

2º lugar: infantil
Sem dúvida

Estou sem ideia
Olhei a janela
Apagou a vela
O gato no telhado
Pulando pra todo lado
Com o rabo espichado
Enquanto escrevia
Eu percebia
Que a lua me perseguia.
Miguel Trindade Carneiro  

 1º lugar: juvenil
 Alma Imperfeita

Jovem alma perdida
Vagando em rumos na estrada maldita
Cheia de solidão
Presa nas profundezas
Alma ferida de mentiras
Imperfeitas e sozinha
Vagando pelas noites escuras
Memórias machucadas
Verdades não sendo faladas
Viajando pelo desespero
Com o coração partido no peito
Derramando lágrimas infinitas
Se escondendo na escuridão da solidão
Gritando por uma ajuda
Seus olhos trêmulos por tristezas
Suas mágoas a serem relembradas
Mente vazia sem autoestima
Corpo sangrento com medo
Boca fechada de mentiras
Alma cheia de feridas
Alma que corre pela garganta
Alma que um dia poderá se amar
Não terá dor para se curar.
Stella Beatriz                                      

 2º lugar: juvenil
Uma única peça de xadrez

Uma carta aberta para não enviar
Se sentir culpado ao errar?
Não preciso ser ouvida.
Nem preciso ser lida
Tenho sentimentos sem nem aguardar
Aguardar alguém ler
É como esperar um amor correspondido, nunca surge
Só surgem silêncio e caos
Onde me sinto perdida, pois aqui não pertenço
Pertenço a sentimentos e palavras ditas
A amores correspondidos e cartas enviadas
Sou eu, uma única peça no xadrez
Procurando um lugar onde me encaixar
E a culpa some ao chegar
Pois meu lugar decidi e aqui vou ficar.
Sofia Streck Bundt                             

2º lugar: adulto (2021)
Inspiração

A alvorada suplica a esperança
parece que não há mais tempo
nas ruas, visivelmente desertas
olhares andam a passos largos
medo, angústia, perdas, dor ...
o efêmero não se faz presente
e o momento ininterrupto torna-se o cotidiano.
clama-se por sorrisos
e tímidos surgem
cobertos por máscaras
o poeta com suas mãos tremulas
hesitante derrama lágrimas
e, por alguns momentos, 
tenta desviar o tema
de repente, surge a cena:
uma criança sentada na calçada
a dar gargalhadas
seu sorriso não se vê
mas a sua alma transborda
de amor e de esperança!
então, o poeta alimenta-se
de toda aquela inocência 
e, altivo, finaliza seu poema. 
Sandra Luciane de Aragão Teixeira
Professora do Colégio Ulbra São Pedro

Marcelo Miranda
Jornalista - MTb. 6824

Fale conosco