Dona Miúda, a tecelã de versos e de capim dourado
"Meu capim, meu capim miúdo
Que nasceu no campo
Perfumando tudo?...
Quando cantei esta quadrinha, uma novidade que eu estava levando pra música do Capim Dourado, dona Miúda me olhou mais forte ainda, mas já com um olhar de acolhimento, de satisfação, de amizade. Queixou não de ser lembrada na voz dos cantores da Comunidade, mas gabou-se de sê-lo por vários poetas que passaram pela Mumbuca, que se encantaram com o Jalapão e, sobretudo, com a arte do capim dourado. Aspirou ser a autoridade: a escola construída ali, o telefone, a presença do poder público na comunidade tiveram deveras a sua palavra de entendimento e herdou da mãe Laurinda toda a tradição daquilo que é para crianças, jovens e adultos, a fonte, a semente, o ouro que Deus semeou nas veredas do Jalapão e que é o tesouro renovável para a grande parte das pessoas do Estado do Tocantins.
Dona Miúda foi uma grandeza dessas como o próprio capim de vereda. Nasceu no campo sem ser semeado. Suas filhas e netas costuram capim e assim segue a vida. Ela deve ser lembrada como a mulher forte que foi.
Obrigada, Dona Miúda, por nos ter presenteado com sua presença e seu canto das rodas de janeiro e abril!
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