Docente dirige palestra no Congresso PENSAR
Com o objetivo de refletir sobre a temática indígena e afro-brasileira, a partir de experiências construídas por professores na prática da sala de aula, a professora Maria Aparecida da Rocha Medina ministrou oficina no Congresso PENSAR que aconteceu de 22 a 25 de agosto, no Centro de Atividades SESC Palmas-TO.
A roda de conversa focou discussões e análise de conceitos, expressões, piadas e jargões preconceituosos geralmente reproduzidos na escola brasileira ao longo da história referentes aos grupos de matrizes africanas e indígenas os quais sempre foram vistos como cultura inferior. A discriminação étnico-racial tem motivado ódio, violência e intolerância muito presentes nos centros urbanos e em escolas do país onde a prática do bullying se torna evidente pelo fato de as pessoas não aceitarem situações/culturas diferentes da sua. Assim como o desenvolvimento da ideologia racista e etnocêntrica imperpetrada "ocultamente" em livros didáticos e práticas reprodutoras de conhecimentos eurocêntricos.
Com a regulamentação das leis 10. 639/03 e 11.645/08 busca-se combater tais práticas, mesmo sabendo que as normas por si só não mudam tais comportamentos, mas ao menos atuam como suporte na orientação das escolas em busca de estratégias que promovam uma infância sem racismo e a superar ideias preconceituosas no âmbito escolar onde crianças podem ser vítimas ou autoras.
Para isso, o (a) professor (a), por meio do currículo e dos processos pedagógicos, deve estimular e oportunizar maneiras de "conviver e aprender com as diferenças, promovendo atividades em que as trocas sejam privilegiadas e estimuladas" (MEC, 2006:67) no cotidiano da sala de aula. Nesse processo, a criança interage com o outro, e, "pelos gestos, pelas palavras, pelos toques e olhares ela construirá sua identidade e será capaz de representar o mundo" (MEC, 2006: 31).
Pensando nisso, a oficina foi desenvolvida a partir do levantamento de ideias e de práticas problematizadoras, reflexivas, tendo como foco valores, hábitos e saberes herdado do povo africano e indígena. Mas o maior envolvimento dos participantes se deu nas atividades lúdicas com dramatização de histórias, memória e construção de jogos, brinquedos, brincadeiras, danças, músicas, e, outras linguagens que ajudam abordar a temática etnicorracial na Educação Infantil e Anos Iniciais do ensino fundamental.
Essa metodologia é apropriada para estimular a criança a expressar seus sentimentos, construir regras, transformar realidades e apreender o mundo, partindo do contexto sociocultural, a qual está inserida. Nesse propósito é fundamental a contribuição do (a) professor (a) em romper com as "amarras pedagógicas que discriminam e cerceiam qualquer possibilidade de interpretar o mundo a partir de outros olhares, isto é, olhares capazes de ultrapassar os limites das perspectivas eurocêntricas idealizadas como padrão". (MEC, 2005:8-15).
E, para trabalhar o tema em debate nas licenciaturas, a professora Maria Aparecida apresentou o projeto "A amizade não tem cor", como também, as aulas interculturais em escolas indígenas Xerente, envolvendo turmas do Curso de Pedagogia, Biologia e de Educação Física do CEULP/ULBRA.
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