NOVA CHANCE
Apenadas ganham bolsas de estudo da Ulbra
Selecionadas farão curso superior de Marketing em Mídias Digitais
A Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), por meio de uma parceria com a Polícia Penal, ofereceu duas bolsas de estudo de ensino superior para apenadas do regime semiaberto do Instituto Penal Feminino de Porto Alegre (Ipfpoa). As contempladas escolheram o curso de Marketing com Ênfase em Mídias Digitais, que será cursado na modalidade a distância (EaD).
A cerimônia de entrega aconteceu nesta quarta-feira (2/7), na casa penal, durante o encerramento do projeto de extensão da Universidade "Saúde e bem-estar no cárcere: estratégias de assistência multidisciplinar para mulheres privadas de liberdade no Instituto Penal Feminino de Porto Alegre".
Em sua fala, o reitor da Ulbra no Rio Grande do Sul, Adriano Chiarani da Silva, lembrou o poder transformador do conhecimento. "O aprendizado proporciona novas oportunidades. Agradecemos por vocês terem se aberto para essas atividades que foram desenvolvidas. Prossigam no caminho da aprendizagem, pois ela gera liberdade para muitos olhares", disse.
O projeto foi desenvolvido por alunas da Medicina da Ulbra em Canoas em conjunto com os cursos de Direito, Enfermagem e Teologia. Na atividade, coordenada pela professora Estela Schiavini Wazenkeski, as acadêmicas fizeram encontros semanais na unidade prisional, onde abordaram temas ligados à saúde física e mental, direitos no sistema prisional, espiritualidade, bem-estar e reinserção social. "O acolhimento que recebemos foi essencial no processo. Com certeza, a formação das alunas ganha um olhar mais humanizado. Elas saem da sala de aula entendendo que são profissionais da saúde que vão atender pessoas independentemente do histórico ou do passado", afirmou Estela.
Sonho compartilhado
Para a diretora do Ipfpoa, Tatiane e Silva, a Ulbra proporcionou momentos valiosos de troca de conhecimento. "Foi um período muito produtivo. Nossa bandeira é proporcionar mais trabalho, mais educação e mais atividades no Ipfpoa. Uma apenada em uma faculdade é algo incrível, um sonho que compartilhamos e nos emocionamos. Sabemos que não é fácil, mas as enxergamos como mulheres, como pessoas", ressaltou a diretora.
"Sabemos que, quando saímos, há muito preconceito. Eu estava sem uma direção e agora sei para onde ir. É um recomeço. Quero trabalhar com vendas e, quem sabe, fazer uma outra faculdade de Psicologia", comentou a apenada Franciele Lemos, 34 anos. A outra selecionada foi Luana Vitória Stein da Silva, 26 anos, que gosta muito de cozinhar e pretende seguir no ramo alimentício ao progredir para o regime aberto. "Me senti acolhida e percebi que não estou sozinha. As palestras nos motivaram muito. A graduação vai ser o começo de uma nova história", emocionou-se.
Durante o projeto, as acadêmicas realizaram debates, leituras, palestras e atividades terapêuticas voltadas à redução do sofrimento emocional, à promoção da saúde mental e ao fortalecimento da ressocialização. "Foi uma experiência enriquecedora. Trabalhamos com as pessoas, suas dores e histórias. Isso contribui para a nossa formação, pois teremos que prestar atendimentos médicos sem fazer julgamentos", comenta a aluna do 2º semestre de Medicina Laura Burtet, que participou do projeto com as colegas Nicoli Amábile, Eduarda Marcuzzo e Gabriela Favero. Também participaram do evento pela Ulbra o professor de Direito André Cézar, o pastor André Tavares Cardoso e o diretor de relações institucionais da Aelbra, Monir Ferranti.
Janice Silva
Assessoria de Comunicação Ulbra
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