INCENTIVO
Pesquisa resgata memória e resistência dos torrãozeiros no Cantão
Estudo valoriza saberes tradicionais e fortalece gestão ambiental
Uma pesquisa desenvolvida com a coordenação da professora doutora Conceição Previero, e com a participação dos acadêmicos de agronomia Enoque Bezerra e Marcilene Rodrigues, ganhou destaque ao resgatar a memória histórica, a ancestralidade e a resistência dos torrãozeiros no Parque Estadual do Cantão (PEC), no Tocantins. O estudo foi publicado na revista científica Contribuciones a Las Ciencias Sociales e evidencia a importância do conhecimento tradicional para uma gestão ambiental mais justa e participativa.
A pesquisa conta com fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT) e do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), e teve execução da Ulbra Palmas, reforçando o papel da instituição na produção científica voltada às realidades sociais e ambientais do estado.
Intitulado "Rios de memória e resistência: a linha do tempo como voz dos torrãozeiros, no Parque Estadual do Cantão", o artigo apresenta os resultados de uma pesquisa qualitativa e participativa que utilizou a metodologia da linha do tempo como ferramenta de escuta, registro e empoderamento narrativo da comunidade tradicional que vive às margens dos rios da região.
Segundo o estudo, a criação do Parque Estadual do Cantão, em 1998, embora tenha como objetivo a conservação ambiental, gerou conflitos sociais ao impactar diretamente o modo de vida dos torrãozeiros, população tradicional que depende da dinâmica das cheias e vazantes dos rios para a agricultura, pesca e subsistência. Diante desse cenário, a pesquisa buscou validar e registrar a presença histórica dessas comunidades no território.
A metodologia aplicada teve como referência visual o desenho de um rio, simbolizando o fluxo do tempo, da vida e da relação ancestral com o território. Ao longo da construção coletiva da linha do tempo, foram resgatados marcos históricos desde a década de 1950 até os dias atuais, revelando processos de ocupação, conflitos, resistência, adaptação e permanência da comunidade no Cantão.
Os resultados apontam que a linha do tempo se tornou mais do que um instrumento metodológico, transformando-se em uma ferramenta de empoderamento comunitário, permitindo que os torrãozeiros reafirmassem sua identidade, memória e direitos. O estudo também destaca que os desafios decorrentes da criação da unidade de conservação passaram a ser compreendidos como um motor de aprendizagem e reorganização social.
Além do resgate histórico, a pesquisa reforça a necessidade de inclusão efetiva das comunidades tradicionais nos processos de gestão ambiental. Para os autores, valorizar os saberes locais é essencial para a construção de políticas públicas mais equilibradas, capazes de conciliar conservação ambiental e justiça social.
Karoliny Santiago - Assessora de Comunicação
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