ENCONTRO E DISCUSSÃO
Livro sobre TCC e população negra é lançado na Ulbra Palmas
Evento debateu saúde mental e relações étnico-raciais
Para discutir a representatividade e reflexão sobre os impactos do racismo na saúde mental da população negra, o auditório central da Ulbra Palmas recebeu na quarta-feira, 06, o evento que marcou o lançamento do livro Terapia Cognitivo-Comportamental para população negra, escrito pelo psicólogo e pesquisador Bruno Reis, reunindo acadêmicos, professores e profissionais da área em um diálogo sobre Psicologia, Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e relações étnico-raciais.
A obra nasceu a partir da união entre pesquisa científica e vivências pessoais do autor enquanto homem negro dentro da Psicologia. Segundo Bruno Reis, o livro começou a ser construído a partir da percepção da ausência de produções voltadas à população negra dentro da abordagem cognitivo-comportamental. "Quando comecei a pesquisar, percebi que praticamente não existia literatura em TCC voltada para a população negra. Parecia impossível levar esse projeto adiante, mas foram cinco anos de estudos até conseguir concluir o livro", relatou.
Desde o lançamento, o psicólogo percorre o Brasil apresentando a obra em universidades, congressos e comunidades tradicionais. Palmas marcou a etapa final da turnê nacional. "Eu sempre pensei que a Psicologia não era um lugar para mim. Hoje, estou ocupando esses espaços e falando sobre como gostaria que ela fosse. E, para minha surpresa, muitas pessoas também querem essa transformação", destacou.
Para o professor mestrando Wysney Rocha, "com certeza, esse evento foi um marco importante para a gente, ter um autor lançando o seu livro aqui, fechando a turnê do seu livro aqui no Tocantins, então acho que isso é muito importante. Assim como a temática do livro, eu acho que ela é muito rica para a psicologia, então quando ele articula essa questão da teoria cognitivo-comportamental à saúde da população negra, eu acho que isso é um marco para a gente pensar como uma psicologia, embora trabalhe com pessoas de forma geral, vão ter marcadores muito distintos para a gente pensar a saúde mental, para a gente pensar o sofrimento também. Então é uma coisa que deve estar atenta não só para essa abordagem específica que ele traz no livro, mas para todas, e a partir do momento que a gente tem contato com as experiências como a do Bruno, pela sua atuação nas comunidades periféricas e todo esse afrocentramento que ele traz no sentido da gente fortalecer também aquilo que é produzido. Produzido a partir da cultura, a partir dos saberes da população negra", disse.
O encontro também promoveu reflexões sobre a importância de uma clínica racializada e da representatividade dentro dos espaços acadêmicos. Para a professora mestranda do curso de Psicologia, Amanda Cristina Gonçalves Dias, discutir relações étnico-raciais dentro da formação acadêmica é uma responsabilidade ética da profissão. "A Psicologia ainda é muito embranquecida, tanto nas referências teóricas quanto nos espaços acadêmicos e profissionais. Isso impacta diretamente a saúde mental da população negra, principalmente quando suas vivências são silenciadas ou minimizadas. Promover debates como esse é construir uma Psicologia mais humana, diversa e comprometida com a realidade das pessoas", afirmou.
A programação também destacou a aproximação entre ciência, arte e produção intelectual negra. Para o psicólogo Luiz Gustavo, o trabalho desenvolvido por Bruno Reis representa uma nova forma de construir conhecimento dentro da Psicologia. "O Bruno articula ciência e arte de maneira extremamente potente. Ele é músico, escritor, pesquisador e psicólogo, trazendo uma produção intelectual negra que dialoga com diferentes linguagens e aproxima ainda mais as pessoas da Psicologia", ressaltou.
Ao unir pesquisa, experiências pessoais e discussões sociais, o evento reforçou a importância de ampliar espaços de fala, pertencimento e representatividade dentro da universidade, promovendo uma formação mais crítica, inclusiva e conectada com as realidades da população negra.
Por Karoliny Santiago - Assessora de Comunicação Ulbra Palmas
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