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Projeto Realinhando fortalece renda de mulheres presas em Palmas
Iniciativa une Direito, economia solidária e ressocialização
O curso de Direito da Ulbra Palmas finalizou mais um semestre de impacto social com o Projeto Realinhando, que oferece às mulheres privadas de liberdade a oportunidade de produzir e comercializar tapetes artesanais, gerando renda para suas famílias e fortalecendo processos de autonomia e remição de pena.
A iniciativa começou com a aprovação do projeto pela 4ª Vara Criminal, Vara de Execução Penal de palmas, que patrocinou a compra das primeiras linhas. No início, o lucro obtido era usado para adquirir mais material, sustentando o ciclo de produção e, com o tempo, os valores arrecadados passaram a ser destinados aos familiares das mulheres em situação de privação de liberdade.
Vendas que transformam
Um dos destaques foi à participação em um evento de três dias no Tribunal de Justiça do Tocantins, onde a equipe - acompanhada de três internas autorizadas judicialmente - vendeu mais de R$ 8.000,00 (oito mil reais) em tapetes. Alunos também participaram diretamente das vendas, fortalecendo a experiência de extensão.
Além do TJ/TO, o projeto realizou vendas semanais no Fórum de Palmas e já comercializou tapetes dentro da própria universidade. Em alguns períodos, foram registradas vendas isoladas de R$ 1.500,00 a R$ 3.000,00, a depender da demanda e das oportunidades de exposição.
Mesmo com o sucesso, o desafio permanece: "Nem sempre temos tempo para vender ou pessoas suficientes para comprar. Diante das diversas atividades desenvolvidas na IES durante o semestre no NPJ (SAJULP), cumprimento de prazos processuais, atendimentos jurídicos, dentre outras atividades acadêmicas, não conseguimos garantir um fluxo contínuo de vendas", relata a coordenadora do projeto, professora Andrea Cardinale.
Cerca de 100 tapetes aguardam compradores
Atualmente, o Realinhando possui aproximadamente 100 tapetes prontos, ainda à espera de compradores. Os preços variam conforme o custo das linhas - entre R$ 29 e R$ 40 o novelo - seguindo o cálculo padrão do projeto: custo multiplicado por três. Assim, tapetes podem chegar a R$ 100 ou R$ 120, dependendo do modelo.
O valor arrecadado, quando há venda, é direcionado às famílias das mulheres em situação de privação de liberdade, via Pix repassado pela assistente social: "Esse dinheiro ajuda muito os familiares, especialmente no início do ano, contribuindo com a compra de material escolar, uniforme e outras despesas. É a forma que elas têm de ajudar seus filhos, mesmo estando privadas de liberdade", explica Andraa.
Para a professora Andrea Cardinale, o impacto do Realinhando ultrapassa a geração de renda: "Eu me sinto feliz e grata por poder ajudar de alguma forma e aproximar os alunos dessa realidade. A vivência proporcionada pelo projeto de artesanato desenvolvido no cárcere, permite aos acadêmicos um contato direto com mulheres privadas de liberdade. Nesse processo, concepções previamente marcadas por estigmas e preconceitos vão sendo gradualmente ressignificadas, à medida que o encontro concreto com essas mulheres revela trajetórias, saberes e potências que desafiam visões simplificadoras sobre o encarceramento feminino. Eles aprendem sobre remição na prática, compreendem o sistema prisional de verdade e enxergam que a universidade tem um papel social muito importante. Essa vivência muda a formação deles".
O projeto também reforça o compromisso social da Ulbra Palmas, aproximando a comunidade acadêmica de uma população marginalizada e ampliando a compreensão sobre direitos humanos, justiça e cidadania.
Por Karoliny Santiago
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