DADOS ALARMANTES
SEPSI reforça cuidado contínuo com a saúde mental
Clínica-Escola já realizou mais de 4.300 atendimentos em 2026
Ansiedade, alterações no sono e na alimentação, dificuldades nos relacionamentos e sentimentos de desesperança estão entre as principais queixas apresentadas por pessoas que procuraram atendimento psicológico na Clínica-Escola de Psicologia (SEPSI) da Ulbra Palmas em 2026. Além do aumento da procura, os profissionais e acadêmicos têm observado a chegada de casos com maior nível de sofrimento e impactos mais significativos na rotina dos pacientes.
De acordo com o coordenador do SEPSI, o psicólogo Wysney Rocha, dos mais de 4.300 atendimentos realizados, o público atendido é formado majoritariamente por mulheres, com concentração na faixa etária entre 19 e 59 anos. Crianças e adolescentes também representam uma parcela importante dos atendimentos, especialmente entre 12 e 18 anos. Entre as demandas mais frequentes estão às relacionadas à ansiedade. "Um dos quadros mais recorrentes aqui é a ansiedade. Eu acho que, após a pandemia, isso tem aparecido com muito mais intensidade também, pensando nos últimos semestres que eu tenho acompanhado aqui o fluxo de funcionamento do serviço", afirma.
Casos chegam com impactos na rotina
Mais do que o aumento da procura, a equipe do SEPSI tem percebido mudanças no perfil dos casos que chegam à clínica. Atualmente, há uma presença maior de situações classificadas internamente como graves, nas quais o sofrimento já provoca prejuízos funcionais e em certos casos envolvem situações em que o sofrimento começa a interferir diretamente na vida cotidiana.
"São pacientes que já necessitam, às vezes, do encaminhamento para consulta com psiquiatra, com neuro, com outros profissionais também, pensando na possibilidade desse acompanhamento não só psicológico, mas muitas vezes psiquiátrico também. (...) Há pacientes que já percebemos prejuízos funcionais, no sentido de atrapalhar a rotina da pessoa, não conseguir executar as atividades do dia ou, de fato, ter esse prejuízo nas relações, no trabalho, no ambiente familiar, nos relacionamentos amorosos também", detalha o profissional.
Cuidado antes da crise
Para o coordenador do SEPSI, um dos desafios é ampliar a compreensão de que o acompanhamento psicológico pode fazer parte de um processo contínuo de cuidado, e não apenas ser procurado quando o sofrimento já atingiu níveis mais intensos. "Muitas vezes as pessoas vão pelo caminho de tentar medicação primeiro para depois procurar o psicólogo, quando já têm sintomas mais intensos ou algum outro prejuízo. E aí a gente sempre vai trabalhar na perspectiva de promoção. A gente não quer que as pessoas busquem um serviço só no momento de crise", afirma.
Para ele, esse processo pode envolver tanto recursos individuais quanto uma rede de apoio. "É importante que as pessoas busquem esse atendimento como processo de autocuidado, não pensando ali só na crise ou quando já está tão intenso o processo associado até mesmo ao adoecimento", destaca.
Mudanças de comportamento merecem atenção
Nem sempre o sofrimento psicológico aparece de maneira evidente. Por isso, familiares, amigos e colegas podem desempenhar um papel importante na percepção de mudanças que fogem do comportamento habitual de uma pessoa. "Às vezes a pessoa vai trazer alguns relatos vinculados a uma certa desesperança ou queixas associadas também à dificuldade de um sono que é constante ali, motivado muitas vezes por preocupação. A questão também da alimentação, às vezes vai ter alterações no apetite, a pessoa não vai conseguir se alimentar ou não vai sentir fome", explica.
O coordenador destaca ainda que as mudanças de comportamento nem sempre significam uma redução de atividades. Em alguns casos, elas podem aparecer justamente pelo excesso. "Os amigos e colegas podem prestar atenção, porque às vezes são pessoas que estão mais próximas da rotina e conseguem acompanhar melhor. Então, mudanças muito bruscas de comportamento também são importantes", orienta.
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