Extensão
Ulbra Canoas recebe encontro de NEABIs do Rio Grande do Sul
Membros de oito núcleos de estudos étnico-raciais participaram do evento
Representantes de oito Núcleos de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABIs) de instituições de ensino superior gaúchas participaram, na tarde desta segunda-feira, 18 de dezembro, de uma reunião extraordinária no plenário da reitoria do campus Canoas da Universidade. Na ocasião, integrantes dos núcleos da Unisinos, UFRGS, Ulbra, Unipampa e dos Institutos Federais do Rio Grande do Sul (IFRS) debateram temas relacionados à organização do IV Congresso de Pesquisadores Negros da Região Sul (COPENE), previsto para acontecer em julho de 2019 na cidade de Jaguarão, a 380km de distância da Capital, Porto Alegre (RS).
Conforme o diretor do NEABI da Universidade Luterana do Brasil, Deivison Moacir Cezar de Campos, encontros como esse também são propícios para a articulação de atividades de ensino, pesquisa e extensão conjuntas e voltadas para o aprofundamento do debate de questões étnico-raciais dentro do meio acadêmico. "Hoje temos uma discussão muito importante dentro das instituições públicas que congregam o nosso grupo, principalmente no que se refere às políticas afirmativas, como as cotas raciais. Por outro lado, este espaço também possibilita a concepção de ações integradas e interinstitucionais", destacou o docente, que também coordena o curso de bacharelado em Jornalismo da Unidade.
Atuação pioneira de pesquisadores negros da Ulbra foi lembrada na ocasião
Durante a abertura da atividade, o professor licenciado do curso de História da Ulbra, Roberto Santos, fez um breve resgate da luta pela reivindicação de espaços de protagonismo dos povos afrodescendentes e indígenas dentro da instituição, onde, conforme recorda, leciona desde 1991. "Nos anos de 1980 temos algumas teses e trabalhos acadêmicos relevantes, mas só depois do centenário da abolição da escravatura, em 1988, é que esses pesquisadores da cultura negra começaram a conquistar mais protagonismo e visibilidade no meio acadêmico", lembrou o educador. No final dos anos de 1990, Santos e outros professores da casa implementaram na graduação uma disciplina sobre História Afro-brasileira, antevendo a aprovação da Lei nº 10.639/2003, que tornava obrigatória a sua inclusão em currículos da educação básica.
Após o breve resgate, a representante do NEABI da Unipampa de Jaguarão, Dra. Giane Vargas Escobar, tomou seu lugar à mesa e saudou os presentes. "Atualmente temos alguns alunos negros dentro do nosso campus que estudam e pesquisam o patrimônio cultural africano e sua herança para o município de Jaguarão, que é essencialmente uma cidade negra", avaliou a gestora ao dissertar sobre a atuação do seu grupo de trabalho. "Enquanto esses estudantes estiverem por lá, nós teremos um motivo para nos encontrar aqui", complementou Giane, antes de passar para a pauta do dia: a comunicação.
Marcus Perez
Jornalista - Mtb 17.602
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