AÇÃO PROTETORA EM CÉLULAS
Estudo da Ulbra investiga efeitos da morfina associada à quimioterapia
Pesquisa de pós-graduação analisa impactos em combinação com doxorrubicina
Pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) investigou os possíveis efeitos da morfina, analgésico amplamente utilizado no tratamento da dor oncológica, quando administrada isoladamente e em associação com o quimioterápico doxorrubicina (Dox), medicamento reconhecido por sua ação mutagênica.
O estudo, intitulado "Avaliação de parâmetros citotóxicos, genotóxicos e mutagênicos da morfina na ausência e na presença do quimioterápico doxorrubicina", foi desenvolvido pela aluna Jayne Torres de Sousa, sob orientação da professora Jaqueline Nascimento Picada.
A pesquisa partiu da necessidade de compreender melhor os efeitos toxicológicos da morfina, uma vez que seu uso é frequente em pacientes oncológicos, muitas vezes em conjunto com agentes quimioterápicos. Apesar da ampla utilização clínica, ainda existem lacunas na literatura sobre seus impactos celulares e genéticos, especialmente em combinações terapêuticas.
Para isso, foram realizados ensaios laboratoriais de MTT, Cometa, micronúcleo e teste de Ames, utilizando diferentes linhagens celulares (SH-SY5Y, MG63 e V79) e cepas de Salmonella typhimurium (TA97a, TA98, TA100 e TA102), com e sem ativação metabólica.
Segurança terapêutica
Os resultados mostraram que a morfina não apresentou citotoxicidade em exposições de 3 horas, mas induziu efeitos tóxicos em 24 horas nas maiores concentrações testadas. No entanto, ao ser combinada com a doxorrubicina, a substância demonstrou um comportamento inesperado: em determinadas condições, foi capaz de reduzir os danos celulares provocados pelo quimioterápico.
No ensaio Cometa, por exemplo, a morfina apresentou efeito protetor contra o dano ao DNA induzido pela Dox em algumas linhagens celulares. Já no teste de micronúcleo, os resultados variaram conforme o tipo celular e a dose, indicando tanto redução de danos quanto aumento de alterações genéticas em diferentes cenários experimentais.
No teste de Ames, a morfina não apresentou mutagenicidade e ainda demonstrou potencial de redução dos efeitos mutagênicos da doxorrubicina em determinadas cepas bacterianas.
De forma geral, o estudo aponta que a morfina pode exercer um papel modulador sobre os efeitos tóxicos da quimioterapia, com respostas dependentes da dose, do tipo celular e da combinação utilizada. Os achados reforçam a importância de novas investigações sobre interações medicamentosas em contextos oncológicos, contribuindo para maior segurança terapêutica e melhor compreensão dos mecanismos celulares envolvidos.
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