Reflexão
Violência contra a mulher é tema de atividade de Direito ULBRA
Atividade fez parte da disciplina de Ciência Política e Teoria do Estado.
Quando a violência doméstica deixa de ser um "problema de família" e passa a ser uma questão de Estado? Foi a partir dessa provocação que estudantes do curso de Direito da ULBRA Santarém desenvolveram uma atividade do Trabalho Discente Efetivo (TDE), na disciplina de Ciência Política e Teoria do Estado, ministrada pela professora Gilmara Dias Bruce.
A proposta levou os acadêmicos a refletirem sobre a violência contra a mulher a partir de dados reais de feminicídio e violência doméstica, considerando informações do cenário nacional e da realidade de Santarém. O objetivo foi analisar como comunidade, sociedade e Estado se organizam diante de um problema social que envolve direitos, políticas públicas e mecanismos de proteção.
Durante a atividade, os estudantes foram estimulados a relacionar os dados e as situações analisadas aos conteúdos estudados em sala de aula, desenvolvendo uma compreensão mais ampla sobre a atuação das instituições diante da violência contra a mulher.
"Mais do que compreender conceitos da Ciência Política e da Teoria do Estado, o objetivo foi fazer com que os acadêmicos percebessem como esses conhecimentos se relacionam com problemas concretos da sociedade. Ao olhar para dados de violência doméstica e feminicídio, eles puderam compreender que a proteção da mulher também envolve a atuação do Estado, das instituições e de toda a sociedade", destacou a professora Gilmara Dias Bruce.
Teoria e realidade
O TDE também possibilitou aproximar a teoria política clássica da realidade social contemporânea. Conceitos e contribuições de pensadores como Aristóteles, Tönnies, Weber e Bobbio, além dos fundamentos da Teoria Geral do Estado, foram utilizados como base para a análise do problema.
A proposta evidenciou, na prática, a relação entre política, Direito e economia, mostrando aos estudantes que essas áreas não devem ser compreendidas de maneira isolada quando se trata de questões sociais complexas.
Além do conteúdo teórico, a atividade trabalhou letramento estatístico, por meio da leitura crítica de fontes oficiais, argumentação jurídico-institucional e sensibilização social.
Um gesto que representa um pedido de ajuda
Ao final da atividade, os estudantes participaram de um gesto simbólico: fizeram um X vermelho na palma da mão, sinal internacional associado a um pedido silencioso de ajuda em situações de violência doméstica.
A ação buscou reforçar a importância da atenção aos sinais de violência e da construção de uma rede de apoio. A mensagem deixada aos acadêmicos foi de que, diante de uma situação de violência, um gesto simples de acolhimento, escuta ou encaminhamento pode ser importante para que uma vítima consiga pedir ajuda e romper o silêncio.
"Formar futuros advogados e advogadas também significa formar cidadãos atentos, sensíveis e comprometidos com a transformação social. O Direito precisa estar conectado à realidade e às necessidades da comunidade", afirmou Gilmara.
A atividade cumpriu, assim, seu propósito pedagógico ao integrar conhecimento acadêmico, análise de dados, reflexão crítica e sensibilização social, aproximando os conteúdos trabalhados em sala de aula de uma questão relevante para a sociedade e, especialmente, para a realidade local.
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